ENTREATO
A pausa entre dois batimentos cardíacos
Isadora Maia

ENTREATO
"O silêncio não é ausência, mas o vazio pleno do qual tudo emerge."
— Isadora Maia
Há um instante em que tudo parece suspender-se.
Um tempo quase impercetível separa dois batimentos cardíacos. É um intervalo breve, silencioso e invisível. Contudo, é precisamente nesse espaço que a vida encontra o seu ritmo.
É esse território que Isadora Maia nos convida a habitar.
Em Entreato, a artista propõe uma pintura que não representa a natureza enquanto paisagem, mas enquanto organismo vivo, em permanente transformação. As formas parecem nascer lentamente da matéria, como se respirassem, revelando ritmos internos que evocam crescimento, regeneração e continuidade.
A sua investigação artística desenvolve-se a partir das relações entre corpo, território, memória e natureza. O corpo deixa de ser apenas um lugar físico para se afirmar como espaço de experiência, de conhecimento e de transformação. Também a natureza deixa de ser cenário para se tornar uma inteligência viva, onde tudo acontece em ciclos, silenciosamente.
Nesta exposição, o feminino surge como princípio gerador dessa dinâmica: uma força que acolhe, regenera e transforma sem impor, permitindo que a vida emerja a partir do seu próprio movimento.
Apresentada pela primeira vez em Portugal, a obra de Isadora Maia encontra na Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo um contexto particularmente significativo.
Tal como a pintura, também a dança nasce da suspensão.
Antes de cada movimento existe uma pausa.
Antes do gesto existe uma escuta.
Antes da forma existe silêncio.
É nesse lugar comum entre pintura e dança que nasce Corpo de Obra, um programa de investigação sobre Corpo, Território e Tempo, desenvolvido pela Meraki.ifl em parceria com a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo.
Mais do que um programa de exposições, Corpo de Obra propõe um espaço de encontro entre diferentes disciplinas artísticas, entendendo a criação como um processo de investigação contínua.
Cada exposição constitui um novo capítulo.
Cada artista acrescenta uma nova perspetiva.
Cada visitante completa a experiência através do seu próprio olhar.
Porque a verdadeira permanência da arte não reside apenas na obra.
Reside na transformação silenciosa que permanece em cada um de nós depois da experiência.
Isadora Maia
Nascida em Brasília, em 1992, Isadora Maia vive e trabalha entre São Paulo e Salvador, Brasil.
A sua prática artística resulta de uma investigação interdisciplinar que cruza pintura, performance, dança e artes performativas, explorando as relações entre corpo, território, memória e natureza enquanto dimensões inseparáveis da experiência humana.
O corpo constitui o seu principal campo de investigação, permitindo-lhe questionar processos de pertença, transformação e identidade, com especial atenção às experiências do feminino. A sua pesquisa convoca igualmente saberes ancestrais, memórias familiares e perspetivas críticas sobre os modelos culturais dominantes, propondo novas formas de compreender a relação entre o ser humano, a natureza e o espaço.
Entreato assinala a sua primeira exposição em Portugal.
Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo
Curadoria
Inês Florindo Lopes
Meraki.ifl – Art Gallery & Creative Research
Em colaboração com Marcio Ricci®
